quarta-feira, dezembro 05, 2007

O pão

Passou de pa (como tudo o resto) a "pon". Também os cereais (fitness que come como batatas fritas de vez em quando) já são claramente os "ciai". Diz dá cá e já tá. Pouco a pouco se compõe o seu pequeno vocabulário (dito, porque o percebido é imenso.)

Ontem

A Sofia fez trinta anos com um bebé pequenino ao colo. Nisto de ser mãe há muitas dúvidas e incertezas, mas acho eu que há mestria se rapidamente se chegar à conclusão de que não há fórmulas de sucesso. Cada um encontra o seu equilíbrio na esperança de estar a fazer o melhor possível. E que o importante é mesmo crescermos todos juntos. Apesar do nevoeiro dos primeiros dias, sente-se o sol a entrar-lhe(s) pela vida dentro como é suposto.
Parabéns!

Ontem os primos

Tomaram banho juntos. Foi uma festa de gargalhadas passada a estranheza da novidade. A Inês tem a mesma garagalhada desde sempre, genuína e grande, como a sua doçura. Ouvi-la rir hoje, apesar dos bués e baris que lhe saem a custo, é ouvir os ecos dela pequenina, cheia de caracóis.

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Conquistas

Do traço aleatório e amiúde enfurecido, começam a surgir círculos pacientes. Em sintonia com a amiga Alice, o Lourenço tende a escolher o lápis cor-de-laranja.

Entretém

Trautear os parabéns, muito afinadinhos, enquanto brinca distraído.

Sento-me ao computador

Para trabalhar mas só me apetece recordar estes dias agitados do fim de semana. Jantar de amigos com filhos e com outros apenas grávidos no sábado. Bebés juntos, muita chinfrineira a caminhar a passos largos para o caos. Quando nos vejo nestes preparos penso sempre que aos outros, se calhar, lhes apetece fugir de nós. Eu gosto de nós assim, embora às vezes me apetecesse desligar-lhes o volume. Ou baixá-lo um pouco para se poder conversar.
Domingo mais bebés, uma só na verdade, pequenina. Demasiado pequena para fazer o caos. Só o suficiente para desconcertar adultos com a incapacidade de lhe adivinhar necessidades: quer dormir? quer comer? quer o quê? Tão linda que é, não pesa nada.
No entretanto a árvore de Natal e a maravilha das luzes. Mais uma planta para regar no circuito diário do regador.
Para além das coisas boas (se estou muito tempo longe dos amigos dá-me inquietudes) do nosso fim de semana sobrou muito cansaço, uma constipação, e duas noites a dar para o infernal. O suficiente para eclipsar a efeméride que uma ida ao cinema na sexta feira (ao fim de mais de seis meses de míngua acho eu) se vai tornando .

quinta-feira, novembro 29, 2007

O filho

Esse está cada vez mais fino, mais giro, mais palrador e comunicante. Como deveria e se quer, embora as avós disfarcem mal a suposta falta de palavras do rapaz. Pois se os netos das outras já dizem tudo e mais alguma coisa, como não ficarem preocupadas com esse «atraso» na corrida? Não me incomoda nada. Basta olhar para ele e ver que é um bebé contente e feliz.

Não escrevo

Há tanto tempo que senti, pela primeira vez, culpa. Mais uma a somar ao sentimento de estar a ser mastigada em bocadinhos pequenos pelo quotidiano feroz (e rápido).

quarta-feira, novembro 21, 2007

Hoje

Faz um ano a Marta (já?) e um mês apenas a Camila (ainda tão pequenina...). Está para chegar o Joaquim e soube ontem que o ano que vem traz um Manuel (A Margarida ficará para a próxima tentativa). As próximas festas de aniversário estarão cada vez mais compostas.

E não é que

Decidiu explorar o bacio, por sua exclusiva iniciativa, e até deixou lá um presente?

terça-feira, novembro 20, 2007

Sobre os tamanhos das roupas de crianças

Há muito a dizer, embora nada de verdadeiramente interessante. Mas enerva-me pensar que decidi mal quando optei por, desta vez, comprar roupa do tamanho dele. Comprar tamanho acima e ficar pingão na estação devida, também não faz o meu género, mas acontecia algumas vezes. Ora o raio do miudo decidiu crescer mais do que o esperado, ou encolheram os tamanhos, não sei. Mas não me agrada a ideia de ter de voltar a comprar roupa para este inverno.

segunda-feira, novembro 19, 2007

Espero sinceramente

Que o facto de dizer sim (muito vigorosamente com a cabeça), muito melhor que não (que nem diz sequer), seja um indicador do seu bom feitio. Tem fúrias quando é contrariado, mas não raras vezes imito-o ou faço uma careta e a birra transforma-se numa gargalhada.

Hoje

Foi dia de resgatar o castor, perdido algures no caminho que separava a manhã na Gulbenkian com os amigos de sempre (aqueles que nos acompanham nas jornadas matinais, enquanto os amigos ainda sem filhos dormem) e o carro. Fomos (re)buscá-lo ao Ikea, uma semana depois de ter sido adoptado. Matou logo as saudades com muitos abraços e beijos, chamando-o «cácá» por sua iniciativa.
Sempre é melhor dormir agarrado a um castor macio do que a uma planta de plástico que fez as vezes do castor enquanto este esteve desaparecido.

quinta-feira, novembro 15, 2007

Nos últimos dois dias

Houve fita antes de ir para a escola, porque não queria largar o secador*.

*Urge pois tirá-lo da gaveta acessível.

Já não estava habituada

A deixá-lo a chorar na escola.

quarta-feira, novembro 14, 2007

Já sabe

Fingir que rega as plantas, que seca o cabelo com o secador e que dá de comer ao castor. Com sons que poupam muitas porcarias e litros de água derramada no chão.

Depois de dois dias em casa

Chego à escola e é dia de fotógrafo. Oferecem-nos (se pagarmos, claro) um conjunto de natal. Tremo só de pensar de como será. Mesmo assim desconfio que o meu filho só aparecerá de esgelha.Estará certamente a fugir do projector (tem um medo que se pela de grandes projectores como os dos fotógrafos, não sei porquê).

segunda-feira, novembro 12, 2007

No ikea

Adoptou um bicho que estava abandonado no chão. Um castor macio, com dois grandes dentes igualmente macios. Não tivémos outra opção senão trazê-lo para casa.
Não o largou desde então, dá-lhe muitos abraços e festinhas e quer partilhar com ele todas as brincadeiras. Já o ouvi chamar «cácoi».

Fiquei em casa

Por causa de um mix de sintomas que só podem ser virús, esse grande chapéu onde cabem todos os sintomas incoerentes. Ainda assim foi vacinar-se e chorar com razão.
Esteve mortiço parte da tarde mas disse Inês pela primeira vez, mas em francês (ena tantas rimas): assim, agnés.

sexta-feira, novembro 09, 2007

Sobre o não ter tempo

E não me conseguir orientar: faz 19 meses no domingo e as vacinas dos 18 só vão ser dadas na segunda-feira.

Dizem-me

Que enquanto está na escola se ri muito. Gargalhadas sem razão aparente, mas que deliciam quem trata dele. Em casa também é assim, bem disposto (tirando a rabugice ocasional do cansaço não tenho razão de queixa). Hoje a companheira de galhofa caseira, a prima Inês, vai para a casa dela depois de mais de duas semanas connosco. Vamos ter todos saudades dela e durante uns dias vai andar pela casa a gritar pela páaaaaaaaa!

Adora fazer desenhos

Entretem-se imenso riscando com os lápis no papel e noutras superfícies quando eu me distaio. Gosta de percorrer as fronteiras da folha em traços largos que aos poucos se vão tornando circulares. Mistura as cores e troca os lápis de mãos muito frequentemente. Não gosta de desenhar de um lado só: vira a folha e desenha na parte das letras (não deixa de me ajudar a por as coisas no seu devido lugar, ver páginas de artigos aborrecidos e inuteis, assim recicladas com riscos e traços). Não tarda nada faz bolinhas.

O meu jovem filho

Oscila entre o apetite voraz e o esgar de nojo enquanto a mão afasta o prato. Na creche faz o mesmo. Se um dia depois de sopa e resto e um diospiro inteiro, ainda comeu uma banana e atracou-se à pêra da prima como se não houvesse amanhã, no dia seguinte recusou-se a comer o peixe cozido que lhe ofereceram na escola. Não me preocupo, não, que ele tem muitas reservas onde ir buscar energia. Mas assustam-me as preferências alimentares que eliminam o peixe cozido da dieta em tão tenra idade.

terça-feira, novembro 06, 2007

O Lourenço

Já tem um bibe (pirosinho q.b.).

segunda-feira, novembro 05, 2007

Agora também deu

Em fazer queixinhas. Basta um de nós ralhar ou não permitir que faça uma qualquer asneira e vai choroso agarrar-se às pernas do outro dizendo com um ar muito infeliz: «Papá, papá...» se tiver sido ele, ou «Mamã, mamã...» se tiver sido eu.

Dá cá

E «já tá». De resto insistimos em optar, na maioria dos casos, por uma das sílabas de cada palavra. Três sílabas diferentes só mesmo o já famoso picapá (catrapum!).

Agora percebeu

Que é (muito) giro fazer porcarias que envolvem água, migalhas, colheres e uma tacinha. É capaz de ficar nisto que tempos, sossegadinho.

quinta-feira, novembro 01, 2007

Coisas que valem a pena assinalar

Mesmo quando o trabalho nos obriga a passar parte do feriado a receber pessoas: diz que sim com a cabeça e um sorriso, com uma expressividade de diva de ópera; uma doença que não chega bem a sê-lo que lhe valeu dois dias inteiros de avó e os anos da Filipa a que o Lourenço não foi, mas que também valerem bem a pena.

segunda-feira, outubro 29, 2007

Tagarela

O mais fascinante na sua linguagem incipiente é o misto de gestos e palavras que compõem frases complexas. Ontem perguntávamos onde estava a prima e responde apontando. Perguntamos o que ela está a fazer e responde de um trago: minham, minham, minham... (está a comer, pois claro!).

Baby boom (n)

Afinal não são só as amigas que estão quase todas grávidas. Os amigos do coração também. Quando este desnaturado Tio conhecer melhor o sobrinho Lourenço, já deverá ser pai também. Está tudo a bandear-se para o lado dos crescidos de vez. And when did that happen?

quinta-feira, outubro 25, 2007

Como explicar

A uma criança de 18 meses, teimosa como bom carneirinho que é, que a lua cheia que se vê da janela da sala, apesar de estar no céu não é um avião?

Lost in translation

Catrapum para ele é picapaaa.

*Adora atirar-se para o chão, fingindo cair mas devagarinho, ao som do catrapum, que para ele, dizia eu, é picapaaaa.

segunda-feira, outubro 22, 2007

Há coisas que de tão lindas

Não têm explicação: uma recém nascida mínima, amostra de bebé, perfeita nos traços, enrolada sobre si e deitada junto à mãe.
Que saudades do meu, assim pequenino.

Do fim de semana em que nasceu a Camila (2)

- Como faz a vaca?
- Muuuuuu.
-Como faz o gato?
-Minhá.
-Como faz o cão?
-Hã, hã, hã.
-Como faz o pato?
- Ó-ó-ó-ó-ó-ó (melodia dos patinhos).

Do fim de semana em que nasceu a Camila

O Lourenço também aprecia muito as maçãs bravo de esmolfe. A comprová-lo uma dentada em cada uma, enquanto a mãe cozinhava mais ou menos distraída.

domingo, outubro 21, 2007

Há emoções

Que valem todas as lágrimas e sorrisos que provocam. Ao invés das bruschettas (não deve ser assim que se escreve, mas enfim) prometidas para o jantar a cinco, os nossos amigos dirigiram-se ao hospital para despistar umas moinhas sem explicação. Afinal, e apesar de ser quase certo que nasceria escorpião, a Camila nasceu esta madrugada sob o signo balança, linda e com a saúde que se deseja. A mãe, querida amiga, portou-se à altura dos acontecimentos, o que nos enche de orgulho. Contamos os minutos para a irmos ver de perto.
Bem vinda, Camila.

sexta-feira, outubro 19, 2007

Se há algo que define

O Lourenço é a ternura (intercalada com mini-fúrias). Dá abracinhos, festinhas e beijinhos a tudo o que gosta. E tudo o que gosta não são só pessoas. No outro dia abraçou intensamente uma banana de tão contente de lha termos passado para a mão. Felizmente ainda tinha casca.

Milagre

Para mim chama-se Sargenor. Do ser arrastado e desmotivado da semana passada passei ao ser enérgico sem café de hoje.
E note-se que para estes milagres também é preciso fé.

Do rídiculo que é escrever teses

Oscilo entre o espaço e o espaço e meio entre as linhas: ora parece que não escrevi o suficiente, ora parece que escrevo muito.

Coisas que julgava impossíveis

Num bairro incaracterístico da periferia urbana: o som do amolador-de facas-conserta-sombrinhas.

quarta-feira, outubro 17, 2007

Começar

O dia a bater com o carro não é agradável. É, aliás, de pôr qualquer um terrivelmente mal disposto.

Na Pediatra

Fez uma birra monumental. Mas está tudo bem, pelo menos se olharmos para a linearidade dos pontos na curva dos seus percentis. Recomendações só uma: menos rolha é igual a mais palavras. Vamos comprar uma mini guerra, mas a chucha vai passar a só ser usada nos momentos muito difíceis e na cama para dormir.
Haja coragem.

terça-feira, outubro 16, 2007

Hoje

É dia de revisão pediátrica. Estou curiosa de saber das medidas (parece-me bastante maior, mas pode ser ilusão óptica) e das recomendações. Falar-lhe-ei das palavras de uma sílaba só, da fome por vezes desmesurada, da mão demasiado leve, sem me esquecer dos muitos abraços a tudo (desde a bolacha, à água da banheira, passando pela laranja roubada do cesto da fruta), das ordens obedecidas e das danças e da muita cantarolice. Não é para saber se é normal. Quero só que o conheça melhor, porque no tempo da consulta há demasiadas lágrimas e pouco tempo para a pediatra saber quem ele é.

Se acorda de noite

Pergunta pela Pâaaa (prima). Chega a casa e chama pela Pâaaa. Levanta-se de manhã e espera que ela chegue e se enrosque na cama grande connosco, como de costume.
O Lourenço não só já sabe o que é, como sente muitas saudades.

sexta-feira, outubro 12, 2007

Dias bons...

... e luz do final de dia.

On being a mother

De repente deixei de me identificar tanto com a tragédia de um jovem (filho) que morre para me identificar imediatamente com a mãe que sofre.

Enquanto

Assisto na primeira fila ao deslumbramento da minha sobrinha com os primeiríssimos sinais da puberdade, recordo a inusitada felicidade que senti ao descobrir o primeiro pêlo na axila, nem me lembro bem com que idade. Dá para rir, não dá?

O Lourenço

Andar sem apetite (desde hoje?) é uma coisa tão estranha, tão estranha que me deixa francamente preocupada (logo a mim que nem sou de stressar com o facto de ele comer ou não). Principalmente ao vê-lo afastar uma bolacha com um esgar de desagrado como quem diz «não quero, não gosto disso.»

quinta-feira, outubro 11, 2007

Como é que fui capaz

De me esquecer de uma informação tão relevante como esta: o Lourenço fez, por puro acaso e pela primeira vez xixi no bacio.

Não resisto


Uma pequena amostra da versão pessoal do Lourenço do "cabeça para baixo, rabinho para o ar"* da canção dos Patinhos (aqui num mix de versões).

*No caso dele cabeça a dar a dar...

Nunca mais chega a hora

Da pequena Camila se juntar a estes quatro.

quarta-feira, outubro 10, 2007

Hoje













Dezoito meses pelo olhar da prima.

Em jeito de balanço (com pouco tempo )

Está crescido o meu rapaz. Não faz o pino, não recita poesia e não toma banho sozinho. Mas é muito feliz e, melhor que isso, dá muitos abraços, beijos babados de vez em quando e até nos pisca os olhos se estiver para aí virado.

Assim sem dar por isso

O Lourenço faz hoje 18 meses. Ou como se diz nos blogues cutxi cutxi (no ofense). Dezoito meses de ti.

terça-feira, outubro 09, 2007

Às vezes

Não me liga. Nem me quer. Nem abraços, nem beijinhos, nem saudades. Quer outras coisas, como o pai, o colo da prima, as asneirolas do costume. Tenho de reconhecer que me custa, mesmo sabendo que é assim mesmo e que estas rejeições não são nem uma amostra do que há de vir.

Deu em tentar

(E às vezes conseguir) assobiar. Também pela primeira vez detectei um excerto de melodia na sua cantarolice. Não são os parabéns do Pedro, mas uma parte do refrão dos Patinhos. Em loop claro.

quinta-feira, outubro 04, 2007

Há benefícios

Em acordar muito cedo. Reconheço que o facto de às nove e qualquer coisa já ter bebido café e estar pronta para as minhas tarefas (por agora leituras) faz o dia render mais. Mas custa tanto, tanto.

*Ao quarto dia de pôr a Inês na Escola às oito e meia atrasámo-nos dez minutos. Sair da cama antes das sete e meia revelou-se uma tarefa demasiadamente grande para mim.

quarta-feira, outubro 03, 2007

Os meninos

Têm o seu trabalhinho. E como diz a G. agem como se tivessem. Compenetrados e concentrados no seu trabalhinho que é brincar. O do Lourenço ontem era enfiar todas as peças do puzzle e os blocos de madeira por baixo do sofá. O desafio era pô-las para além do alcance dos seus dedos. E dos nossos dedos também já agora. Esteve nisto que tempos.
Só digo que foi muito bem sucedido, pois tivemos de levantar o sofá para resgatar os infelizes objectos.

terça-feira, outubro 02, 2007

Objectividade

Depois de o ir buscar à creche, diz-me a avó: "Não é por nada, mas ele é o mais bonito que lá está!"
Pois.

segunda-feira, outubro 01, 2007

Adoro

Reciclar roupa mas infelizmente (à excepção de muitos bodies e alguns babygrows repescados do enxoval da A.) a minha participação nesse modo de estar nesta coisa dos bebés tem sido mais emprestar. Herdei muito pouco até agora, tirando uns sacos de roupa para mais para diante. Sinto-me, aliás, um verdadeiro entreposto: recupero a que já emprestei para voltar a redistribuir. E o que eu gosto disso. Posto isto vou ali a um sítio comprar roupa. Sim, porque isto de gerir uma empresa familiar tira-me o tempo de ir a lojas.

domingo, setembro 30, 2007

Do fim de semana

1. Já podemos voltar a fazer jantares que reunam os mais jovens elementos do grupo. Reunidas as condições óptimas (boas sestas, humores razoáveis) acho que podemos mesmo esticar o serão, com excitação q.b., até cairem para o lado.
2. Há muitos anos fiz uma amiga que tinha uma filha da idade da minha sobrinha Inês (não tinha amigas com filhos nessa altura). Fizémos muita companhia uma à outra em programas infantis, férias incluídas, permitindo que também elas tecessem uma amizade que nem recordam como começou (eu lembro-me: tinham dois anos ou menos e incluiu uma peça de teatro e um gelado nas Docas). A vida não nos tem permitido estar juntas como dantes, apesar das insistentes promessas. Mas a cada encontro aquelas duas miúdas reencontram-se na sua amizade (enquanto nós actualizávamos a nossa e o Lourenço brincava com uma gata). Só espero que seja sempre assim.

sábado, setembro 29, 2007

Esta semana

O mundo voltou a fazer sentido e o quotidiano voltou quase ao normal. Trabalho primeiro, um bocadinho, e depois lazer. Depois de uma pausa inusitada para férias de verão as séries estão de volta. Para mim a felicidade pode ser descrita em meia dúzia de palavras (mais precisamente três): Heroes e Grey's Anatomy (a minha xaropada preferida, confesso).

O Lourenço

Tem a mão leve para bater (quando lhe dá as suas mini fúrias quando é contrariado) e a mão rápida para dar festinhas e abraços (assim que percebe que não se pode bater nas pessoas).

Ontem

O bebé teve direito a dormir mais tarde. Corria pela casa com a sua vassoura, a varrer as porcarias (como ele não diz, mas tenta) - ou varre ele próprio ou obriga-nos a varrer apontando persistentemente para as micro-migalhas e afins. Depois, sentámos-nos todos no chão a brincar com os cubos e os carros e também cantámos. A canção do momento é o Atira o pau ao gato. Eis se não quando nos surpreende com uma coreografia contemporânea, no ritmo, que incluia os seguintes movimentos: por-se em bicos dos pés e baixar, dar passos lentos, braços ao alto em gestos largos e mais um outro mexer de cabeça impossível de descrever. Repetimos para ver o que acontecia e voltou a fazer a dança.
No fim bateu muitas palminhas ao som das inevitáveis gargalhadas.

Criatividade precoce ou descoordenação total.

quarta-feira, setembro 26, 2007

O pequenino

Às vezes surpreende-me. A beber pelo copo (sem tampa nem palhinha) sem (se) entornar. Há dois dias julgava impossível. Mas hoje provou-me como cresce mais depressa do que a minha capacidade de o sentir crescer, bebendo sempre pelo copo e sem uma pinga na camisola. Grande Lourenço.

* Beber pelo copo é um exemplo, podia falar dele recostado na banheira com os pés de fora, como se estivesse no jacuzzi, em como de repente já não anda só, também corre, etc. Afinal, when did that happen?

Trintas

G. pergunta-me pela Inês. Respondo que está bem e a gostar da escola e que já tem namorado. Acrescento que, segundo ela, ele joga à bola e ela brinca com as amigas.
Resposta pronta: «Vai ser sempre assim. Hoje, os rapazes vêem a bola enquanto as amigas brincam aos filhos.»

segunda-feira, setembro 24, 2007

No domingo

Passado em casa a pastar a febre, o Pedro (já) fez um anito. É giro ver como passado um ano (ainda não) interagem sem ser com um certo grau de violência. Ainda assim, quando estamos juntos forçamos fotos de grupo em que um deles (ou mais como a foto demonstra) insiste em dar cabo do enquadramento, fugir e ir à sua vidinha de brincadeiras.

O pequenino(2)

Parece mais crescido de cada vez que os caracóis ficam no chão do cabeleireiro. Desta vez fita identica à das fotografias tipo passe (estava a ver que me vinha embora sem cumprir o desígnio). Mas depois lá deixou e ficou todo bonito. Não me importo de lhe cortar os caracóis, porque sei que crescem outra vez não tarda nada.

O pequenino

Teve uma febre que durou o tempo do último dente desta leva demorou a sair. Se não há relação entre as duas coisas, como muitos defendem, há de facto estranhas coincidências.

sexta-feira, setembro 21, 2007

Noto-lhe

Um interesse cada vez maior nas palavras. Aprender a falar é das etapas mais fascinantes do ser humano. E das mais queridas também. Hoje tentou dizer bem muitas vezes aaaaviiiiião.

quarta-feira, setembro 19, 2007

Coisas que valem a pena assinalar

Hoje não chorou para ficar na escola (nada como a visão da caixa das bolachas para o deixar desorientado), mas deve ter chorado depois. Ele e um tal de André chocaram de cabeça um com o outro e cairam cada um para o seu lado.

terça-feira, setembro 18, 2007

Dez



Anos de sobrinha-filha. Inacreditável(mente rápido), mas pura verdade. Continua tão linda como no dia em que nasceu, pela manhã, fazia muito calor. Com ela nascia em mim uma paixão arrebatadora que dura até hoje. Sou melhor mãe do meu bebé porque pude ensaiar muito com ela, nos meses em que a mãe ia trabalhar longe. Ela paga tudo em mimos para o Lourenço, que a elegeu como a terceira pessoa de quem mais gosta no mundo.
Dez anos: dois dígitos na idade, 5º ano a começar numa escola nova, pré-adolescente que ainda brinca ao faz de conta, caracóis para dar e vender, esperteza saloia, preguiça e desarrumação, muita ternura nos gestos. É assim a minha menina. Parabéns.

segunda-feira, setembro 17, 2007

Hoje

Fui a uma reunião de pais. Portámo-nos bem, acho eu. Não falei muito e nem perguntei muitas coisas, limitei-me a observar e a ver como eram os pais dos meninos que já vou conhecendo. O Lourenço esteve sempre connosco (foi o único) e comeu umas cinco bolachas. Durante o periodo do falatório habitual deu para perceber que sente coisas boas pela educadora e por uma das auxiliares. Descobrimos que a escola tem um «projecto» para as baratinhas tontas e os documentos que nos entregaram estão cheinhos da retórica do costume. Fosse eu outra pessoa e deixar-me-ia impressionar com tanta psicologia/pedagogia de almanaque. Ainda assim não me pareceu demasiado folclore para pai ver (que é, infelizmente, o mais habitual). Isso deixa-me bastante descansada.

domingo, setembro 16, 2007

Os bebés

Que estão prestes a nascer ajudam a manter a casa arrumada. Ainda não tive de armazenar roupas pequenas. São sempre necessárias noutro lugar. Ainda bem.

Sonhos de pai


Realizados com muito sucesso*.

* As lágrimas iniciais contrastaram em absoluto com a alegria esfusiante do meu rapaz pequeno assim que entrou dentro de água . Alegria que durou até bem depois de sair.

sexta-feira, setembro 14, 2007

A creche

Não lhe tira o apetite: ontem comeu o lanche dele e o de um outro que não quis comer.

Esta teimosia

Com as torneiras, ou com o acto de as abrir e molhar tudo, tira-me do sério. Percebo que lhe seja quase impossível resisitir, mas como o fazer perceber que não dá mesmo? Eu ralho, ele chora, já se sentou duas vezes de castigo um minuto mas, passado um bocado, mal passa por uma torneira deita-lhe logo aquele olhar e here we go again. Ó paciência...

quarta-feira, setembro 12, 2007

As saudades

Que o Lourenço tem do pai. Agora que o tem visto menos é uma graça assistir ao reencontro ao final do dia. Diz papá muitas vezes na voz mais carinhosa que sabe fazer, dá abraços com palmadinhas nas costas e faz-lhe festinhas na cara e no cabelo antes de se encostar para mais um abraço.

Como

Ainda está em fase de adaptação fui buscá-lo pelas três e pouco. Decidi tornar o dia útil, já que não dava para trabalhar em casa. Estava calor, eu não tinha o carrinho e decidi ir à conservatória pedir a 2ª via do boletim de nascimento que perdemos não sei bem aonde. Pelo caminho tiraria fotos tipo passe, as primeiras. Estava muito calor, o bebé, mesmo com a ajuda do sling, pesa e o estacionamento público mais perto era longe. Caminhámos rápido em vão. Aquilo fecha às quatro. Bolas. Façamos as fotos então. Esperámos meia hora, brincámos um pouco no pátio do deserto Palácio SottoMayor e dirigimo-nos finalmente à loja para garantir que o dia não tinha sido totalmente perdido. Pois o Lourenço não gostou do aparato, berrou que se fartou e nada o convencia de aquilo eram só umas fotografias. Estava prestes a desistir quando decidi dar uma última tentativa. Apesar dos ameaços, uma caixa com bolachas ajudou-o a passar o momento e voilá, seis pequenas fotos de gente pequena já tão grande.

Mais

Um dia de escola. Já lá dorme e bem (ou mais ou menos, terá de se habituar a mais luz e mais barulho). Come bem também. Só não sabe beber leite pela caneca nem ficar lá de manhã sem ser a chorar muito muito.

segunda-feira, setembro 10, 2007

Em conversa

A amiga brasileira, que ainda há dias estava aqui de novo e já se foi outra vez, relembra-me um episódio do qual me esqueci (como é possível?).
Dez adultos em casa, mãe na cozinha, pai no quarto a tentar salvar computador e os restantes a conviver. E o Lourenço? Pois o Lourenço estava na casa de banho, às escuras, com a torneira do bidé aberta no máximo a inundar-se a ele e ao resto da casa de banho. Não se denunciou, claro. Limitou-se a disfrutar dos breves momentos de pura felicidade não controlada.
Recordo que eram dez adultos, dez contra uma criança de ano e meio (17 meses hoje a propósito).

Agora

Que a super-empregada-a-quem-pago-o-dinheiro-mais-bem-empregue-do-mundo está de volta, apetece-me de novo convidar pessoas. Os dias outonais convidam a convidar amigos, passe a redundância. Que sejam pois para breve, muito breve, os lanches prometidos e devidos*.

* Não me saem da cabeça a visita sempre adiada da Ana Rute e as bolinhas de berlim prometidas à Filipa.

Fotos

em movimento.

Dormiu

Pela primeira vez na escola. Deixámo-lo mais uma vez a chorar horrores. Mas ao pararmos no corredor para trocar umas palavras com a educadora reparei que já não chorava. Adormeceu bem, ao que parece, e quando o pai o foi buscar brincava muito entretido. Dão-se pequenos passos e queimam-se angústias. Não tarda nada já não quer sair de lá.

Parece que às vezes

Não é capaz de evitar tentar levantar a mão quando é contrariado. Mas ao semblante fechado e ao «aiaiai» com um ar zangado responde quase sempre com uns inexplicavelmente amorosos miminhos.

quinta-feira, setembro 06, 2007

Agora que descobriu




Que os lápis escrevem no papel, alterna os ditos entre as mãos, decidindo qual lhe serve melhor.
Sem qualquer pretensão de imparcialidade, eu voto na esquerda.

Às vezes

Pergunto-me se saberei aceitar com serenidade todas as escolhas do Lourenço, independentemente de quais forem. Se saberei conviver bem com uma pauta de notas medianas na escola, por exemplo. Admito que às vezes tenho uns impulsos de querer que seja o mais esperto, o mais bonito e o melhor. Ao que for. E no fundo nem é bem isso. É um desejo de que não fique «atrás» de nenhum e que por isso sofra algum tipo de frustração. É ridículo, eu sei, mas são apenas impulsos, rapidamente sancionados por uma autocrítica feroz. Até porque não sou demasiado protectora (acho eu). Deixo-o, com um razoável grau de liberdade, fazer a sua vidinha. Descobrir como se fazem as coisas sem ir por trás substituir-me ao «coitadinho do menino».
No ano passado a minha amiga Guida dizia, e com razão, que isto de pôr crianças na escola implica que se pense (no concreto) que tipo de educação se quer para os filhos. Estes dias de iniciação têm sido de profunda (auto)reflexão. Que tipo de educação quero dar ao meu filho? Costumo dizer, meio piada, meio a sério, que ele pode ser tudo o que quiser, menos aqueles pseudo-punks muito porcos, que vivem com matilhas de cães e bebem litrosas de cerveja e acham que são artistas de circo.

Ao quarto dia

Vejo-o regressar da escola visivelmente satisfeito e nada perturbado. Parece que descobriu que há uns lavatórios pequeninos com umas torneiras iguais às de casa (que boas que eram as torneiras de enroscar). Chorou imenso quando o deixámos, claro. Mas depois passou, diz a educadora (muito doce e ternurenta, mas com deficiências ao nível do uso dos verbos - ouvia-a a dizer vistes). Brincaram todos, ao que parece, e ouviram música. Já prometi levar os cds da Palavra Cantada.
Segunda feira arriscamos a sesta.

quarta-feira, setembro 05, 2007

Vê-lo

A fazer esta passagem tão importante, deu-me vontade de o rever pequenino. Tanto tempo e tão pouco passou. (Re)descubro os seus traços actuais nas primeiras fotos. E confirmo que era mesmo giro, não eram só os meus olhos. Relembro tudo com muita saudade.

Alívio

À chegada dizem-me que ainda almoça. Peço para espreitar sem me ver, para me certificar de que está bem. Espreito e lá o vejo com a sua cara bem disposta-mas-sem-sorrir. Terá, entre tantas outras adaptações, de habituar-se a almoçar sentado em cadeiras de onde se pode levantar a qualquer momento. Imagino-o a levantar-se sempre que se lembra e a irem-no buscar para que comesse. Comeu relativamente bem, dizem-me também. Começou por rejeitar o resto, mas as fotos do cão da auxiliar no telemóvel fazem milagres, diz-me ela. Trouxeram-me ao colo e desta vez não chorou assim que me viu. Sorriu para mim e para todos. Ficou bem. Um pequenino passo, eu sei, mas um passo. Só me ocorre dizer: que alívio depois da angústia matinal de o deixar em prantos a chamar por mim.

Porque será

Que insiste em só dizer uma sílaba das palavras?

Take 3

Ao terceiro dia as lágrimas. Minhas a somar às dele enquanto me dirigia para a saída. Agora resta-me esperar pelo meio-dia para o ir (a correr) buscar.

terça-feira, setembro 04, 2007

E para que a mochila não sofresse

de solidão, a avó arranjou uma lancheira do Ruca* para lhe fazer companhia.


* O Lourenço conhece o Ruca da canção que está no site da RTP. Dança e aponta para as árvores que aparecem, mas não liga à televisão a não ser quando há música.

Há uns dias

Começou a achar graça às (minhas) malas. A querer pô-las ao ombro e a dirigir-se para a porta. Isto e mais a necessidade de levar a trouxa básica da escola levou-me ao Colombo em busca de uma mochila do Elmer, de que ele tanto gosta. Pois que a mochila do Elmer não só era cara, como pequena. Lá fui para o Continente quase sem esperança de encontrar mochilas apropriadas a garotos tão pequenos. Mas mal lá cheguei dei de caras com a mochila perfeita. Um mini-troll com desenhos da Miffy (estou a lembrar-me de outra menina que também ia gostar muito desta mochila...). Já quando chegámos de viagem o Lourenço parecia maluco a tentar arrastar as nossas malas. Pois com esta é a mesma coisa. Desta vez com muito mais equilíbrio. É vê-lo a andar de um lado para o outro a arrastar a sua malinha e a falar a sua incompreensível língua.

No elevador

Olho-me ao espelho e assusto-me. Camisa amarrotada, colar fora do sítio, nódoas diversas. Ir trabalhar com a farda de estar com o filho mais do que duas horas seguidas não é, definitivamente, uma boa ideia.

Take 2

Quando cheguei, apressadissima e em cima da hora (já devia contar com a hora de atraso habitual dos médicos), estava no refeitório, com um ar visivelmente choroso, encostado à janela. A auxiliar viu-me primeiro e pegou nele ao colo. Quando se apercebeu da minha presença retoma o choro desesperado. Devia ter calor, sono e fome. Os outros lá estavam com um ar assarapantado. Trouxe-o para casa atracado no meu colo e mesmo depois de comer e alguma brincadeira, ainda soluçava.
A ver como corre amanhã.
Dias duros estes.

Ontem

Por vontade da Inês, a prima mais adorada, já lá ficava a auxiliar as auxiliares a cuidar dos bebés. Tem jeito o raio da miuda!

segunda-feira, setembro 03, 2007

Estava aqui a pensar

Custou-me deixá-lo lá, mas seria incapaz de fazer o que estava a fazer uma mãe quando lá chegámos: lavada em lágrimas e o filho, igualmente lavado em lágrimas, a ver. Mostrar segurança, assegurarmo-nos de que nos despedimos e não desaparecemos de repente, num adeus firme. Não demorámos muito a ir embora, assim que decidimos fazê-lo (estávamos na dúvida se não iriamos apenas visitar a escola com ele). Acho que foi melhor para ele. Claro que as imagens dele a chorar pela mamã e pelo papá me atormentaram o tempo que ele lá esteve, mas apesar disso não chorei (ter-me-ei tornado mais insensível?).
Na verdade, ter passado por isto com a Inês duma forma um pouco mais ligeira, vai fazer para aí nove anos, parece que me ajudou a ganhar alguns anticorpos: da necessidade de sermos fortes, para que lhe transmitamos a mensagem certa; de não arrastarmos as despedidas, de sabermos cá dentro que se vai habituar e gostar. Ou pelo menos assim espero.
Além do mais, o que tem de ser tem muita força. E esta é, saberá quem me conhece, uma punch line que me é muio cara...

Balanço do primeiro (mini)dia de escola

Chorou, claro. Mas não demasiadamente. Esteve lá cerca de uma hora e pouco praticamente sempre ao cólo das auxiliares. Surpreendentemente não era uma sala cheia de gritos e meninos desesperados. Choravam à vez, pareceu-nos. Quando chegámos ficámos por lá a brincar um bocado, e aí já parecia o meu Lourenço. Ria, brincava, corria... Veio para casa pela mão, muito contente (por se vir embora suponho).
Gostei de ver a escola aberta aos pais, da liberdade de cada um fazer a adaptação ao seu gosto. Da simpatia de todos.
Amanhã ficará mais um pouco.

Está lá

Agora. A quinhentos metros de nós a fazer a «adaptação» à creche. E nós aqui à espera da hora mínima razoável para o ir buscar. Deve estar a chorar, sem perceber porque o deixámos ali. A bem dizer, nem eu sei bem porque o deixámos ali.