segunda-feira, setembro 10, 2007

Parece que às vezes

Não é capaz de evitar tentar levantar a mão quando é contrariado. Mas ao semblante fechado e ao «aiaiai» com um ar zangado responde quase sempre com uns inexplicavelmente amorosos miminhos.

quinta-feira, setembro 06, 2007

Agora que descobriu




Que os lápis escrevem no papel, alterna os ditos entre as mãos, decidindo qual lhe serve melhor.
Sem qualquer pretensão de imparcialidade, eu voto na esquerda.

Às vezes

Pergunto-me se saberei aceitar com serenidade todas as escolhas do Lourenço, independentemente de quais forem. Se saberei conviver bem com uma pauta de notas medianas na escola, por exemplo. Admito que às vezes tenho uns impulsos de querer que seja o mais esperto, o mais bonito e o melhor. Ao que for. E no fundo nem é bem isso. É um desejo de que não fique «atrás» de nenhum e que por isso sofra algum tipo de frustração. É ridículo, eu sei, mas são apenas impulsos, rapidamente sancionados por uma autocrítica feroz. Até porque não sou demasiado protectora (acho eu). Deixo-o, com um razoável grau de liberdade, fazer a sua vidinha. Descobrir como se fazem as coisas sem ir por trás substituir-me ao «coitadinho do menino».
No ano passado a minha amiga Guida dizia, e com razão, que isto de pôr crianças na escola implica que se pense (no concreto) que tipo de educação se quer para os filhos. Estes dias de iniciação têm sido de profunda (auto)reflexão. Que tipo de educação quero dar ao meu filho? Costumo dizer, meio piada, meio a sério, que ele pode ser tudo o que quiser, menos aqueles pseudo-punks muito porcos, que vivem com matilhas de cães e bebem litrosas de cerveja e acham que são artistas de circo.

Ao quarto dia

Vejo-o regressar da escola visivelmente satisfeito e nada perturbado. Parece que descobriu que há uns lavatórios pequeninos com umas torneiras iguais às de casa (que boas que eram as torneiras de enroscar). Chorou imenso quando o deixámos, claro. Mas depois passou, diz a educadora (muito doce e ternurenta, mas com deficiências ao nível do uso dos verbos - ouvia-a a dizer vistes). Brincaram todos, ao que parece, e ouviram música. Já prometi levar os cds da Palavra Cantada.
Segunda feira arriscamos a sesta.

quarta-feira, setembro 05, 2007

Vê-lo

A fazer esta passagem tão importante, deu-me vontade de o rever pequenino. Tanto tempo e tão pouco passou. (Re)descubro os seus traços actuais nas primeiras fotos. E confirmo que era mesmo giro, não eram só os meus olhos. Relembro tudo com muita saudade.

Alívio

À chegada dizem-me que ainda almoça. Peço para espreitar sem me ver, para me certificar de que está bem. Espreito e lá o vejo com a sua cara bem disposta-mas-sem-sorrir. Terá, entre tantas outras adaptações, de habituar-se a almoçar sentado em cadeiras de onde se pode levantar a qualquer momento. Imagino-o a levantar-se sempre que se lembra e a irem-no buscar para que comesse. Comeu relativamente bem, dizem-me também. Começou por rejeitar o resto, mas as fotos do cão da auxiliar no telemóvel fazem milagres, diz-me ela. Trouxeram-me ao colo e desta vez não chorou assim que me viu. Sorriu para mim e para todos. Ficou bem. Um pequenino passo, eu sei, mas um passo. Só me ocorre dizer: que alívio depois da angústia matinal de o deixar em prantos a chamar por mim.

Porque será

Que insiste em só dizer uma sílaba das palavras?

Take 3

Ao terceiro dia as lágrimas. Minhas a somar às dele enquanto me dirigia para a saída. Agora resta-me esperar pelo meio-dia para o ir (a correr) buscar.

terça-feira, setembro 04, 2007

E para que a mochila não sofresse

de solidão, a avó arranjou uma lancheira do Ruca* para lhe fazer companhia.


* O Lourenço conhece o Ruca da canção que está no site da RTP. Dança e aponta para as árvores que aparecem, mas não liga à televisão a não ser quando há música.

Há uns dias

Começou a achar graça às (minhas) malas. A querer pô-las ao ombro e a dirigir-se para a porta. Isto e mais a necessidade de levar a trouxa básica da escola levou-me ao Colombo em busca de uma mochila do Elmer, de que ele tanto gosta. Pois que a mochila do Elmer não só era cara, como pequena. Lá fui para o Continente quase sem esperança de encontrar mochilas apropriadas a garotos tão pequenos. Mas mal lá cheguei dei de caras com a mochila perfeita. Um mini-troll com desenhos da Miffy (estou a lembrar-me de outra menina que também ia gostar muito desta mochila...). Já quando chegámos de viagem o Lourenço parecia maluco a tentar arrastar as nossas malas. Pois com esta é a mesma coisa. Desta vez com muito mais equilíbrio. É vê-lo a andar de um lado para o outro a arrastar a sua malinha e a falar a sua incompreensível língua.

No elevador

Olho-me ao espelho e assusto-me. Camisa amarrotada, colar fora do sítio, nódoas diversas. Ir trabalhar com a farda de estar com o filho mais do que duas horas seguidas não é, definitivamente, uma boa ideia.

Take 2

Quando cheguei, apressadissima e em cima da hora (já devia contar com a hora de atraso habitual dos médicos), estava no refeitório, com um ar visivelmente choroso, encostado à janela. A auxiliar viu-me primeiro e pegou nele ao colo. Quando se apercebeu da minha presença retoma o choro desesperado. Devia ter calor, sono e fome. Os outros lá estavam com um ar assarapantado. Trouxe-o para casa atracado no meu colo e mesmo depois de comer e alguma brincadeira, ainda soluçava.
A ver como corre amanhã.
Dias duros estes.

Ontem

Por vontade da Inês, a prima mais adorada, já lá ficava a auxiliar as auxiliares a cuidar dos bebés. Tem jeito o raio da miuda!

segunda-feira, setembro 03, 2007

Estava aqui a pensar

Custou-me deixá-lo lá, mas seria incapaz de fazer o que estava a fazer uma mãe quando lá chegámos: lavada em lágrimas e o filho, igualmente lavado em lágrimas, a ver. Mostrar segurança, assegurarmo-nos de que nos despedimos e não desaparecemos de repente, num adeus firme. Não demorámos muito a ir embora, assim que decidimos fazê-lo (estávamos na dúvida se não iriamos apenas visitar a escola com ele). Acho que foi melhor para ele. Claro que as imagens dele a chorar pela mamã e pelo papá me atormentaram o tempo que ele lá esteve, mas apesar disso não chorei (ter-me-ei tornado mais insensível?).
Na verdade, ter passado por isto com a Inês duma forma um pouco mais ligeira, vai fazer para aí nove anos, parece que me ajudou a ganhar alguns anticorpos: da necessidade de sermos fortes, para que lhe transmitamos a mensagem certa; de não arrastarmos as despedidas, de sabermos cá dentro que se vai habituar e gostar. Ou pelo menos assim espero.
Além do mais, o que tem de ser tem muita força. E esta é, saberá quem me conhece, uma punch line que me é muio cara...

Balanço do primeiro (mini)dia de escola

Chorou, claro. Mas não demasiadamente. Esteve lá cerca de uma hora e pouco praticamente sempre ao cólo das auxiliares. Surpreendentemente não era uma sala cheia de gritos e meninos desesperados. Choravam à vez, pareceu-nos. Quando chegámos ficámos por lá a brincar um bocado, e aí já parecia o meu Lourenço. Ria, brincava, corria... Veio para casa pela mão, muito contente (por se vir embora suponho).
Gostei de ver a escola aberta aos pais, da liberdade de cada um fazer a adaptação ao seu gosto. Da simpatia de todos.
Amanhã ficará mais um pouco.

Está lá

Agora. A quinhentos metros de nós a fazer a «adaptação» à creche. E nós aqui à espera da hora mínima razoável para o ir buscar. Deve estar a chorar, sem perceber porque o deixámos ali. A bem dizer, nem eu sei bem porque o deixámos ali.

sexta-feira, agosto 31, 2007

Ainda a propósito ...


...do livro favorito.

quarta-feira, agosto 29, 2007

Apesar de não dizer muitas coisas

Comunica cada vez mais: quer fazer conversa, chama-nos a atenção para o que está e para o que não está (abrindo expressivamente as mãos), anda pelo caminho a assinalar os lugares das plantas e das árvores, dos carros e dos aviões que passam. Diz adeus como quem diz olá, e como quem diz adeus vou-me embora. Como no livros, tem surtos de autonomia, em que diz adeus e vai à vida dele. Interrogo-me até onde iria se não fosse apanhado no ar com beijos e amassos acompanhado de deliciosas gargalhadas.
É verdade: ri de propósito e a propósito de nada. Fico mesmo contente que não seja como eu era na sua idade.

O gato

Fellini arranjou uma dona e uma casa onde será muito mais feliz do que aqui. Não só não estava muito motivada (por motivos considerados fúteis ou não, admito que não sou uma pet person*) como a convivência entre bicho e bebé só era benéfica para o bebé (até ao dia em que o gato se passava de vez e a convivência passaria a ser má para todos).
O melhor de tudo é que estará bem perto, à mão de muitas visitas.

*Gosto de animais em geral, embora da maioria tenha medo, e acho que aos animais domésticos é devida toda a dignidade que um humano pode dar (espaço, alimentação, mimo e higiene). Pelo que a minha aversão a alguns cães é mais culpa dos donos do que dos bichitos. Foi um consolo ver os cães de Nova Iorque, lindos de morrer e mil vezes mais bem cuidados do que a maioria que se vê por aí.

Apesar

Da minha tendência para opinar sobre tudo e de para tudo ter uma explicação (no mínimo uma teoria) irritam-me as pessoas que dividem as pessoas em grupos a propósito das mais variadas coisas: um bom, onde se incluem naturalmente, e um mau, onde colocam as pessoas à vez, dependendo das suas posições sobre a vida.